quinta-feira, 14 de setembro de 2017


Vinhos Lucano fazem um brinde de 30 anos
para a histórica Penha de França


foto: Vinicola Lucano
Em sua longa e rica trajetória de 350 anos, comemorados neste ano, não é segredo para ninguém, que conhece um pouco de história, que a Penha de França foi um importante ponto de parada de Dom Pedro I em 1822, no seu caminho para o grito de Independência ou Morte às margens do riacho Ipiranga. E que, em 1886, também hospedou Dom Pedro II, no Palacete do Coronel Rodovalho, localizado na então Ladeira da Penha, no topo de uma colina.

Mas, o surpreendente, pelo menos para os da nova geração ou até alguns mais “antigos”, como este blogueiro, morador novo da região (só 4 anos) é que o bairro é sede de uma vinícola. A empresa foi fundada em 1987 pelo imigrante italiano Leonado Lence, vindo de uma família tradicional no cultivo de videira e elaboração de bons vinhos na região de Lucania ou Basilicata, sul da Italia.

Leonardo chegou ao país em março de 1960, com a mulher
foto: Brasão da familia Lucano
Angela e os filhos Rocco, Giovanni e Maria Donata.
 A vinícola começou como um hobby para a família, no fundo do quintal de um casa, comprada em 1967, em terreno de 756 m². Ali foram plantados, por volta de 1969/1970, cerca de 80 pés de uva do tipo Moscato. 

Em janeiro e fevereiro de 1976 houve uma “grande safra”no pequeno parreiral. E dona Ângela Lence, que também já tinha a tradição e a vocação herdada dos seus antepassados, selecionou os melhores cachos, amassou-os e colocou-os para fermentar em dois tanques que, na verdade, serviam para depósito de água. A experiência motivou a família a preparar melhor a ‘vindima” e, além do que colhiam no quintal, compravam mais uvas no Mercado  Municipal . E conseguiram uma produção de 600 litros de vinho.

Em janeiro de 1986, os filhos Giovanni e Rocco viajaram ao Sul do país para pesquisar e fazer contatos com os colonos da região de Bento Gonçalves, comprar pipas e outros equipamentos. O objetivo era produzir vinho em maior quantidade em São Paulo. Durante sua permanência, conheceram uma família de colonos que, assim como os Lucano, na Penha, faziam o vinho artesanal. Foi feita então uma parceria e a uva produzida na propriedade e a vinificação no próprio local possibilitavam uma economia no transporte e uma qualidade superior.
foto: Uva Isabel

A uva utilizada até hoje é a Isabel, uma casta de uvas híbrida natural das espécies Vitis vinifera e Vitis labrusca. Quando chega a São Paulo é condensada e envelhecida em toneis de barris de carvalho ou aço inoxidável de até 7.500 litros, além de uma cave especifica  com a temperatura exata para que o envelhecimento seja feito da melhor maneira possível. Em seguida o vinho é engarrafado, rotulado, embalado e disponibilizado para venda.em padarias, cantinas, tratorias e restaurantes, e na própria
Toneis da Vinicola
vinícola. 
Curso de degustação

Aos sábados, das 9h30 ás 16h30, na rua Mirandinha 888, sede da vinícola desde a sua fundação, Rocco Lence, 69 anos, enólogo e professor de física, ex-aluno da PUC e aposentado pelo Estado, segue a tradição da família. E recebe nas instalações da empresa, por ele administrada, os clientes para um curso de degustação. Mas é preciso se inscrever com antecedência, na própria vinicola, via telefone ou pelo site.

foto : Uva Tannat

No curso, aprende-se tudo sobre vinhos: desde a colheita de uva,  fermentação, vinificação, envelhecimento, engarrafamento, guarda, tipos de vinhos, acompanhamento para cada prato, benefícios que o vinho traz à saúde se tomado com moderação.

O mestre Rocco explica que os vinhos tintos envelhecem  toneis de grápia e de carvalho e os brancos em tanques de aço inoxidável.E que nas caves, na penumbra, isolado de ruídos, numa temperatura natural e constante, cerca de 17 ºC, o vinho prossegue o seu processo de envelhecimento para a evolução de seus aromas e a obtenção de seu “bouquet”. .

foto: Cabernet Sauvignon
O curso termina ao redor de uma mesa rústica, quando , complementando as explicações, é oferecida ao visitante uma degustação dos vinhos elaborados pela vinícola: Moscato Italiano ou Moscato Bianco, Merlot, Cabernet Sauvignon, Tannat, Isabel e Bordô. Um deles leva o nome de Don Gianni. É um tinto com três uvas: Merlot, Caberner Sauvignon e Tannat, em homenagem ao irmão de Rocco, Giovanni, já falecido.
foto: Merlot premiado na Expovinho
 


Chama a atenção uma tabuleta fixada no local, "Aqui não servimos para bebericar. Só para experimentar". E outra informa que a degustação de até três vinhos é gratuita,  De 4 até 6, paga-se R$ 20.

Pontos de venda

A capacidade de armazenamento nos 26 tonéis da vinícola Lucano é de 140 mil litros e a empresa pode girar até 60 mil litros sem perder a qualidade.

 
foto : Uva Moscato
Após o envelhecimento, as garrafas são rotuladas e embaladas na Lucano e comercilalizadas em vários pontos de venda tradicionais na Zona Leste, menos em supermercados. São padarias, casas de vinhos, cantinas,  restaurantes e pizzarias. E na própria vinícola, na Rua Mirandinha, 888, perto do Metrô Vila Matilde.  


Podem ser encontrados, por exemplo, na Padaria Requinte, na Penha; nas Pizarias Belart e La Lampagnola, em São Miguel Paulista; Pizaria Suprema, em Santana; Padaria Marengo e Pizaria L' Art di Leo, no Tatuapé, e na Emporium Lucano, da própria vinícola, também no Tatuape, onde ocorrem as degustações agendadas previamente.

Nestas degustações, o cliente vai entender porque os vinhos
foto: Moscato Bianco
da Lucano tiveram sua qualidade reconhecida na 21ª Expovinho, realizada no último mês de junho, em São Paulo. Seu tinto Merlot, safra de 2010, ficou entre os dez melhores vinhos da mostra internacional. Um bom motivo para fazer um brinde com ele e festejar com a família os 350 anos da Penha de França.


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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Na Primavera, Holambra recebe com chuva de flores
 
foto: Ateliê da Notícia

Quem não foi, ainda terá tempo de sobra para dar um pulinho até lá. Afinal, a 36ª Expoflora em Holambra, aberta no último fim de semana de agosto, só terminará em 24 de setembro, em plena primavera. Uma atração imperdível está reservada sempre para o fim da tarde, quando os milhares de turistas são brindados com o fantástico espetáculo da chuva de pétalas. Cerca de 150 quilos de pétalas coloridas, correspondendo a 800 dúzias ou 18 mil botões despetelados um a um, são lançados, por um equipamento especial, sobre a multidão, ao ar livre. 

Se você acredita em lendas, então tente pegar uma pétala antes de cair no chão, faça um pedido e o seu desejo será atendido. Não custa tentar. A Estação mais aguardada do ano fica assim ainda mais irresistível nesta pequena e acolhedora estância turística, distante 140 quilômetros da capital paulista e bem próxima de Campinas.

Em sua primeira edição, em 1981, o evento, organizado  por alguns produtores de flores e plantas da Cooperativa Agropecuária Holambra, teve a  duração de apenas um fim de semana e atraiu um público de 12 mil pessoas. Na nona edição, em 1989, com sua fama ultrapassando as fronteiras do país, e explorando o slogan “Uma Festa Tipicamente Holandesa”, recebeu 150 mil visitantes. Um número que agora, a exemplo do ano passado, de acordo com a expectativa dos cerca de 500 produtores das Cooperativas Veiling  e  Cooperflora, deverá manter-se em torno de 300 mil pessoas nos 16 dias de sua realização, de sexta a domingo. E, neste ano, incluindo também o feriado de 7 de Setembro.

A cada ano a Expoflora consolida a sua condição de a maior exposição de
foto: Ateliê da Noticia
flores e plantas ornamentais da América Latina, além de ter se tornado um produto turístico de significativa importância para a economia da região e do país, num ambiente ideal para a realização de grandes negócios. Na atual edição, estão sendo investidos
cerca de R$ 4,3 milhões, gerados 1.800 empregos diretos e 5 mil vagas (diretas ou indiretas), e os reflexos na economia da região são de R$ 24 milhões nas cidades localizadas num raio de 80 quilômetros de Holambra. A produção representa cerca de 45% de toda a  comercialização no Brasil 

Segundo o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), apesar da grave situação econômica que vive o país, isso não está se refletindo no mercado de flores. A previsão é terminar 2017 com um crescimento próximo de 9% e faturamento estimado em mais de R$ 7,2 bilhões. Para este resultado positivo, a entidade aponta alguns fatores: a otimização de custos, investimento em novas variedades, como acontece na Expoflora, a disponibilidade das flores e de plantas ornamentais sempre mais próximas do consumidor nos locais de venda e o planejamento no longo prazo feito pelos produtores.    

O público que vai ao parque onde é realizada a Expoflora encontra uma
foto Ateliê da Noticia
completa infraestrutura no espaço de 250 mil metros quadrados, sendo que só a área de exposição de flores tem 750 m2. Dispõe de estacionamento para 5 mil veículos em sistema rotativo, duas praças de alimentação com 16 lanchonetes e sete restaurantes (de fast-food até pratos da culinária nacional e da cozinha típica holandesa), duas confeitarias típicas (Martin Holandesa e Doce Rosa), dois postos médicos, 220 sanitários, caixas eletrônicos (24 horas) e uma agência do Banco do Brasil, áreas de descanso com bancos à sombra de árvores, fraldário, bebedouros, lojas de souvenir, três pavilhões para vendas de mais de 2.500 variedades de flores, plantas e arranjos (Shoppings Vermelho, Verde e Azul), que oferecem 250 estandes com artesanato, produtos industriais para decoração, moveis e utensílios domésticos, e postos de atendimento com  equipes de apoio para informar e orientar os visitantes.

Museu, moinho e danças típicas

foto: Atelier da Noticia
A Holambra, antiga colônia holandesa, cujo nome vem da união das palavras Holanda, América e Brasil, é chamada, com toda razão, de “A Cidade das Flores”.  Claro, então, que elas são as donas da Expoflora que, todos os anos, serve de vitrine para as novidades e tendências para a floricultura nacional. Na atual edição, por exemplo, os lançamentos incluem os cactos mandacarú sem espinho; o cacto-coração; as mini-orquídeas phakaenopsis, com cerca de 60 flores em suas hastes; os kalanchoes de vaso nas variedades Chloe laranja, com leve fragância de mamão papaya, e Maxime, cor de rosa claro e com flores de 15mm, maiores do que as convencionais, e a lantana bandana, para jardins, com mix de cores diferentes, além das novas tonalidades das rosas Charm Candy Avalanche, diferenciadas por ter um botão principal e de dois a quatro secundários para aumentar o volume dos buquês.

O ideal é chegar  logo ás 9 horas e permanecer até os portões se fecharem, às 19 horas. Assim, dará tempo para ver as demais atrações, comer bem, fazer compras de artesanato ou souvenir e o seu vaso ou arranjo. De flores, sem dúvida.

O roteiro dos passeios pode começar pela Exposição de Arranjos Florais, em
foto: Ateliê da Noticia
12 ambientes, tudo muito criativo e exótico, produzidos pelos paisagistas e decoradores holandeses Jan Willem van der Boon e Jessica Drost. São utilizados na decoração, incluindo as reposições, 2.000 vasos de flores e 262 mil hastes de mais de 3.500 espécies diferentes, doadas pelos produtores das cooperativas.

Ao visitar a Mostra de Paisagismo, com 19 ambientes, os turistas recebem sugestões de especialistas sobre a melhor maneira de usar as flores e as plantas ornamentais em residências. Os projetos paisagísticos e de decoração mostram as tendências da primavera/verão.

Para aproveitar melhor o seu tempo, faça um city-tour pela Holambra, oportunidade em que conhecerá detalhes da história e da arquitetura da ex-colônia holandesa. No trajeto, há uma parada no Moinho de Vento, em tamanho natural e a um campo de cultivo de flores. 

foto Ateliê da Noticia
Outro atração é o Museu Cultural, que preserva toda a história da imigração e colonização holandesa no Brasil. São perto de 2 mil fotos e utensílios trazidos pelas primeiras famílias dos pioneiros. Ao lado do museu, os visitantes podem conhecer réplicas das casas de pau-a-pique e alvenaria, habitadas pelos imigrantes, com mobília e objetos usados por eles no seu cotidiano, além de uma exposição de maquinários e tratores antigos.

A partir das 14h00, em palcos instalados próximo das Praças de Alimentação, cada um com um nome e decoração de uma flor (Rosas, Lírios, Petúnias, Iris e Tulipas) há apresentações de grupos de danças típicas holandesas. Com uma ponta de orgulho, os organizadores garantem que se trata do único grupo no mundo a mostrar coreografias de diferentes regiões da Holanda. Tudo é resultado de uma minuciosa pesquisa feita pelo professor Piet Schoemaker. Os participantes, de acordo com a idade, são divididos em grupos que têm nomes de flores, escolhidos pelos próprios participantes.

foto: Ateliê da Noticia
As danças são inspiradas na natureza (dança da chuva, do pica-pau
foto Ateliê da Noticia
e a polca no gelo, que lembra a patinação), nas profissões e ofícios (sapateiro, lavadeiras, marinheiro, no ato de bombear água, na preparação da cerveja), nas colheitas (carregador de feijão, cevada madura) ou mesmo em histórias sobre a origem e as tradições do povo holandês, representadas por meio de valsas, marchas, mazurcas e o schots (que se tornou xote). Também há exibição de dança do ventre e shows da Fanfarra Amigos de Holambra, com 70 integrantes que usam tamancos de madeira como instrumentos de percussão e trajes típicos do seu país.

foto: Ateliê da Noticia
No final da tarde, ás 16h30, o público se dirige para perto do Palco do Moinho, onde há a concentração para a "Parada das Flores". O espetáculo reúne todos os artistas em um desfile e, durante o percurso  os visitantes seguem a marcha e tomam parte na festa. Nesse clima, ao som de muita música, percorre-se toda a extensão do parque até chegar ao local para assistir à fantástica "Chuva de Pétalas". É uma sensação indescritível ficar sob uma chuva de 150 quilos de pétalas de rosas, lançada no ar por um canhão especialmente projetado para a Expoflora.

Quando o tempo colabora, e desde que haja disponibilidade de flores, pode acontecer um replay do espetáculo, às 17 horas. E com uma novidade: o lançamento é feito a partir de um helicóptero, e o vento espalhe as pétalas por todo o parque. Nenhum turista reclamará se isso acontecer sempre.

Delícias gastronômicas

A Expoflora é também uma boa oportunidade para se provar algumas das delícias da culinária holandesa nas duas praças de alimentação. E de uma forma bem criativa e inovadora. São servidas em potinhos, com pétalas vermelhas, amarelas e laranjas prontas para serem degustadas.

foto: Ateliê da Noticia

Entre as novidades deste ano, estão sobremesas no formato de flores, como a Appelbloem (flor de maçã na junção das palavras holandesas appe - maçã e bloem - flor) da Confeitaria e Restaurante Martin Holandesa, e a Flor da Terra, uma rosa de biscoito, bolo de chocolate triturado e brigadeiro de hortelã, tudo dentro de um vasinho, no Casa Bela. Há também a torta Toffee com ganache de especiarias. Já o Oma Bepple apresenta uma versão do stroopwafel, um biscoito típico holandês tipo waffle recheado com calda de caramelo e com cobertura de chocolate.
foto: Ateliê da Noticia
Não faltam os pratos típicos, como o Eisben (joelho de porco), que é servido desfiado junto com salsichões e escondidinho sob dois purês de batata e de queijos (Hollandse Verbogern), e o Prato do Opa (vovô em holandês), um filé mignon grelhado e servido com três purês típicos, molho de maçã verde e cebola échalote.
As crianças podem experimentar o Picolelé, que elas montam do jeito que preferirem. É uma novidade da sorveteria Vanilia Ice, que também criou para esta edição sorvetes de beterraba e de bacon.

Origem de Holambra

Terminada a 2ª Guerra Mundial, que devastou a Europa, levas de imigrantes de diversos países escolheram o Brasil em busca de novas oportunidades          para recomeçar a vida. Por meio da KNBTB (Katholieke Nederlandse Boer en Tuiemers Bond), que significa Organização dos Lavradores e Horticultores Católicos da Holanda, houve contatos com o governo brasileiro e ficou acertada a compra da Fazenda Ribeirão, em 1948, de propriedade do grupo norte-americano Amour. Os recursos foram concedidos pelos governos da Holanda, do Brasil e do Estado de São Paulo.

 Com o apoio, foi iniciado um projeto de colonização agrícola nas terras localizadas entre os municípios de Jaguariúna, Santo Antônio de Posse, Artur Nogueira e Cosmópolis, coordenado pela Cooperativa Agropecuária Holambra. Esta foi a base da futura comunidade que se emancipou oficialmente em 30 de dezembro de 1992, após um plebiscito realizado em ano antes.

fonte Ateliê da Noticia
Mas, o início não foi fácil para os imigrantes holandeses, que  tiveram que superar toda sorte de dificuldades como a clima, língua, costumes, religião e cultura no convívio com os brasileiros. Além disso, as primeiras tentativas de criar o gado holandês não tiveram êxito e a agricultura, que era a proposta original, também não deu certo pela falta de orientação e adaptação das culturas escolhidas, principalmente a batata. Muitas famílias desistiram e regressaram para a Holanda ou foram para o Sul do Brasil.

Para os que ficaram, tudo começou a melhorar com a implantação de uma fábrica de ração e do abatedouro de aves, a venda de ovos e a produção de frutas cítricas que possibilitaram bons rendimentos por algumas décadas. Mas, efetivamente, as coisas mudaram definitivamente a partir do momento em que a colônia decidiu pelo cultivo de flores, particularmente com a importação de tecnologia vinda da terra natal, a Holanda.

 Hoje, a ex-colônia holandesa é uma das cidades mais seguras e de melhor qualidade de vida no país. Apesar de ter uma população que não chega a 13 mil habitantes, ganhou projeção internacional com a Expoflora, a maior exposição de flores e plantas ornamentais da América Latina, e responde por 45% da  comercialização no Brasil.  E se transformou num destino turístico cada vez mais procurado nesta época do ano.   

 Serviço

A Expoflora ficará aberta até o dia 24 deste mês, no horário das 9 às 19 horas, Os ingressos (R$ 46,00) podem ser comprados na bilheteria do próprio Parque, nos dias do evento, no site www.ingressorapido,com.br  ou com os representantes informados no site www.expoflora.com.br

Mais informações com o Ateliê de Notícias – (19) 3252-9385 – expoflora@ateliedanoticia.com.br

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Theatro São Pedro, um século de arte no palco que enfrentou a ditadura

Vista noturna- Foto Sec de Cultura
A sua inauguração em 15 de janeiro de 1917, na rua Barra Funda esquina da rua Albuquerque Lins, região de Santa Cecília foi noticiada pelo jornal O Estado de São Paulo, na linguagem da época, como “‘Mais uma magnífica casa de espetáculos São Paulo conta desde ontem”. Em sua história de um século, o Theatro São Pedro aprendeu a conviver com desafios de toda sorte, que incluíram problemas de censura pela ditadura, nas décadas de 60 e 70, até a redução, neste ano, das verbas  repassadas pela Secretaria Estadual da Cultura, pelo corte no orçamento da pasta feito pelo Governo do Estado.

Talvez as dificuldades financeiras tenham feito com que os 100 anos do teatro, em janeiro, passassem sem uma comemoração especial que a data merecia. Mas, para que o ano do centenário não ficasse sem uma homenagem, foi levada ao seu palco uma programação durante o mês de abril que teve concertos da Orhesp na abertura (01) e no encerramento oficial (09) do 15º Concurso Brasileiro de Canto Maria Callas, com obras de Carlos Gomes, Giuseppe Verdi, Giacomo Puccini, Pietro Mascagni, Charles Gounod, Antonín Dvorák e Francesco Cilea, com regência de Luiz Fernando Malheiro e apresentação dos solistas vencedores. Houve, ainda, nos dias 19, 23 e 28, com a Academia de Ópera Theatro São Pedro, a encenação da Ópera Noce di Benevento, de Giuseppe Balducci, e nos dias 21, 26 e 30 da Ópera Gianni Schicchi, de Giacomo Puccini.

Após a Organização Social Santa Marcelina Cultura assumir a gestão, em maio, foi possível divulgar o calendário e dar andamento à temporada lírica de 2017. A próxima atração, nos dias 1,2 e 3, é a encenação da “Flauta Mágica (Pocket Ópera), de Mozart, com a Orquestra de Bolsistas do Theatro São Pedro, sob a regência de Juliano Dutra.

Voltando ao passado, segundo os registros do “Estadão”, a abertura oficial
Teatro na época da inauguração
para a imprensa e convidados daquele que é o segundo teatro mais antigo de São Paulo foi marcada por alguns imprevistos. Como o mobiliário, encomendado nos Estados Unidos, incluindo as cadeiras da plateia, não chegou a tempo, foram usados móveis comprados à última hora. Entretanto, os desafios não terminariam por aí. O funcionamento do teatro e cinema, para o público, seria no dia 16. Mas, o jornal registrou, no dia 17, que o teatro não havia conseguido o alvará e que, portanto, a abertura fora adiada. Finalmente, no dia 20 de janeiro de 1917, o São Pedro recebeu os ansiosos expectadores com a exibição dos filmes A Moreninha e O Escravo de Lucifer.

“Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto e música de Chico Buarque;”Marta Saré”, de Gianfrancesco Guarnieri e Edu Lobo, com Fernanda Montenegro e Beatriz Segal, e “Queda da Bastilha”, com Celso Frateschi e Denise Del Vecchio foram três das peças de maior conotação política apresentadas no palco do Theatro São Pedro, em plena ditadura militar. E no seu palco se abrigavam grupos teatrais como o Papyrus, transformando o local num foco de resistência. Os atores Celso Frateschi e Denise Del Vecchio, por exemplo, chegaram a ser presos em cena. A atriz Beatriz Segall ouviu a leitura do AI-5 no palco durante as encenações de Marta Saré.

O São Pedro foi inaugurado em uma época de florescimento cultural. Com uma história rica e surpreendente, é um dos poucos remanescentes de uma geração de teatros de ópera criados na virada do século XIX para o XX e que movimentavam a vida artística de São Paulo e de outros importantes centros urbanos do Brasil e da América do Sul. São da mesma época, por exemplo, o Teatro Amazonas de Manaus, o Teatro da Paz de Belém, o Colón de Buenos Aires e o Solis de Montevidéu. Na capital paulista, também proliferavam casas de espetáculos em diferentes regiões, com programação de teatro, cinema e música. Entre estes teatros estavam o Minerva, em Santana, o Paulistano, na Rua Boa Vista, o Politheana, na Av. São João, e o Colombo, no Brás.

Desde a sua abertura, o público que frequentava o São Pedro era bem diversificado. Havia representantes da alta sociedade em apresentações de gala. Mas, a grande maioria era de jovens do bairro da Barra Funda, atraídos pelos ingressos promocionais e as sessões de cinema. Teatros semelhantes a ele não resistiram às transformações pelas quais passou a cidade. Com a exceção do Theatro Municipal, na Praça Ramos de Azevedo, de 1911.

Uma longa história de abre e fecha

Programa de La Cenerentola
A história do Theatro São Pedro foi marcada por uma série de fechamentos e reinaugurações. Era uma época em que esse tipo de equipamento estava entre as principais opções culturais dos centros urbanos mais desenvolvidos, oferecendo apresentações não só teatrais, mas também musicais e de cinema. A casa conseguiu se adaptar aos tempos e protagonizou capítulos significativos da vida artística paulistana. 

O teatro, que se mantém no mesmo endereço, foi construído em estilo eclético, predominantemente neoclássico com detalhes em art nouveau, por iniciativa do imigrante e empreendedor português Manoel Fernandes Lopes. O engenheiro responsável pela obra foi o construtor Antônio Villares da Silva, que seguiu as linhas do projeto elaborado pelo arquiteto italiano Augusto Bernadelli Marchesini, que residia na cidade. O São Pedro, de palco italiano, com planta em forma de ferradura (além de platéia, frisas, balcões e camarotes) era recorrente nos teatros planejados para funcionar com programação mista, pois seu desenho permitia a instalação de telas de projeção. Foi concebido para ser um espaço dedicado a operetas, teatro e show de variedades, além de projeções de cinema. Serviu de alternava para apresentação de companhias nacionais e estrangeiras, com concertos eruditos e mostras de crianças prodígios.

A trajetória do São Pedro até os anos 40 não foi diferente de outros teatros de bairro. Incorporado ao circuito exibidor das Empresas Reunidas, da Cia Cinematográfica Brasileira e da Metro Goldwin Mayer, passou por uma reforma e, em pouco tempo, tornou-se um elo menor da cadeia de exibição cinematográfica montada no centro de São Paulo. E com a transformação urbana da cidade e do bairro, além da crise da Cinelândia, a partir da década de 1960, o cinema São Pedro perdeu prestígio. Em 1967 foi fechado.
Foi neste momento, que grupos de teatro, que questionavam os rumos dados
Interior do Teatro - Foto Sec.Cultura
à cultura nacional e ao próprio país, ocuparam o velho cine-teatro. Coube ao Grupo Papyrus dar início a esta nova fase. Liderado pela atriz Lélia Abramo e a diretora Maria José de Carvalho e integrado pelo ator Marcos de Salles  Oliveira, o artista plástico Abram Fayvel Hochman e o produtor Vicente Amato Filho. Porém, por falta de recursos suficientes, o grupo não pode levar adiante o seu projeto .
Assim, o São Pedro foi arrendado a novos inquilinos, o casal Beatriz e Maurício Segall e o ator e diretor Fernando Torres. Após adequações de espaços e reformas, o teatro reabriu no final de outubro de 1968 com apresentações de música erudita. A programação teatral foi iniciada no mês seguinte, com a montagem de “Os Fuzis da Sra.Carrar” (Bertolt Brecht) dirigida por Flávio Império.

 Palcinella e Arlecchino- Foto Heloisa Bortz
Em 11 de setembro de 1970, foi aberta uma nova sala de apresentações, voltada a pequenos espetáculos, com o nome de Studio São Pedro. A peça de estreia, “A Longa Noite de Cristal”, de Oduvaldo Viana Filho, ganhou o Prêmio Molière daquele ano. Nesse mesmo ano, foi encenada, na sala grande, um dos maiores sucessos da década, o musical “Hair”, dirigido por Ademar Guerra. Outra característica marcante da época foi a recepção e incorporação ao Studio de artistas e grupos de trabalho perseguidos e censurados como os Teatros Oficina e Arena (entre os quais Renato Borghi, Celso Frateschi e Fernando Peixoto). Muitas peças importantes foram encenadas, incluindo “Os Tambores na Noite” (Brecht), “A semana” (Carlos Queiroz Telles), “Frei Caneca” (Carlos Queiroz Telles), “Frank V” (Dürrenmat) e “Calabar” (Chico Buarque e Ruy Guerra).
Tombamento e recuperação
Apesar do sucesso das montagens, problemas financeiros e internos do grupo obrigaram Segall a alugar a grande sala do teatro ao Governo do Estado e a desistir das produções próprias no Studio. A partir de 1974, o teatro serve também de sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, sob a direção do maestro Eleazar de Carvalho. A São Pedro Produções Artísticas encerrou suas atividades em 1975, embora Maurício Segall continuasse na direção do teatro até 1981. No final dos anos 70, o teatro foi sublocado para diferentes grupos e apresentou ainda peças com Beatriz Segall à frente do elenco, e três montagens marcantes: “Macunaíma” (Mário de Andrade), sob a direção de Antunes Filho, em 1978; “Ópera do Malandro” (Chico Buarque), dirigida por Luis Antônio Martinez Corrêa, em 1979, e “Calabar”, dirigida por Fernando Peixoto, em 1980.
Em 81, depois de nova fase de abandono, o governo estadual iniciou o processo de tombamento do teatro, concluído em agosto de 1984, pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico). As obras de restauração incluíram a recuperação de elementos arquitetônicos originais da construção e a reforma completa da infra-estrutura, com implementação de novos equipamentos cênicos, de conforto acústico, térmico, funcional e de segurança, devidamente integrados ao restauro. 
Em 24 de março 1998 o novo Theatro São Pedro foi reaberto ao público, o que significou o início de uma nova orientação. O projeto de recuperação, iniciado nos anos 80, fez parte de um conjunto de intervenções visando a revitalização do centro da cidade. No ato de abertura, a Secretaria do Estado da Cultura, nova proprietária do teatro, anuncia que o mesmo seria a sede provisória da OSESP até a conclusão das obras da Sala São Paulo, na Praça Júlio Prestes. A Orquestra iniciou a nova programação da casa apresentando a ópera “La Cenerentola” (A Cinderela), de Rossini.
Mesmo com a  saída da Orquestra, em julho de 1999, não houve alteração
A Orthesp - Foto: Heloisa Bortz
das diretrizes do teatro e vieram as apresentações da Camerata Fukuda, dirigida por Celso Antunes, e uma versão para marionetes da última ópera de Mozart, “Flauta Mágica para Crianças”. Em 2000, a vocação operística do teatro foi confirmada não só com montagens do repertório europeu tradicional, como “O Barbeiro de Sevilha” (Rossini), “As Bodas de Fígaro”,”Don Giovanni” e “A Flauta Mágica” (Mozart), mas também ccm inovações brasileiras como “Domitila”, monodrama baseado nas cartas trocadas entre Dom Pedro I e a Marquesa de Santos, “Pedro Malazartes”, comédia musical de Camargo Guarnieri, “Ventriloquist” e uma “pocket opera” dirigida por Gerald Thomas. 

Ainda no mesmo ano, o São Pedro inicia a série “Sempre aos Domingos”, de junho a novembro, com a Orquestra de Câmara Villa-Lobos. E, com a criação da Orquestra do Theatro São Pedro (Orthesp), em 2010, a instituição consolidou a sua posição de o mais importante teatro de ópera do país.

Motivada pela bem sucedida experiência, a direção do teatro programou para o ano seguinte uma temporada de óperas pré-definida, com sete espetáculos, entre as quais se destacou uma inédita “L’Oca del Cairo”, de Mozart. Também nesse ano, começaram os espetáculos de dança, como o “Dos a Deux”, de André Curti e Artur Ribeiro, inspirado em “Esperando Godot” (Beckett). No início de 2002 foram abertos dois novos espaços no São Pedro:  a Sala Dinorá de Carvalho, de 90 lugares,  para recitais e grupos de câmara, e o Centro de Memória da Ópera do Theatro São Pedro, constituído a partir do acervo de mais de 6.300 peças de figurino doado por Fausto Favale.
Fachada do teatro- Foto Heloisa Bortz
Com todos os desafios em sua trajetória secular, o antigo cine-teatro São Pedro preservou as atraentes linhas arquitetônicas originais do prédio  o que faz da casa um dos poucos marcos da cultura do começo do Século XX que ainda sobrevivem na paisagem urbana de São Paulo. Além disso, a restauração permitiu adequar o teatro às exigências cênicas atuais, tornando-o moderno, mas sem perder as características clássicas indispensáveis.

O teatro oferece atualmente 636 lugares, distribuídos entre dois balcões, com capacidade para acomodar 110 e 124 pessoas e uma plateia com mais 396 lugares, além de outros seis para portadores de deficiência.

Sob nova direção

A partir de 1º de maio, a Organização Social Santa Marcelina Cultura assumiu a gestão do Theatro São Pedro, incluindo a Orquestra e a Academia de Ópera, a pedido da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. Em comunicado, a entidade informou que “os recursos repassados ao longo de 2017 garantirão a realização de 24 récitas de ópera, seis concertos da orquestra, 30 concertos de câmara, além do funcionamento da Academia de Ópera com 24 alunos e 80 aulas, master classes e workshops e quatro ensaios gerais abertos. Em relação aos músicos originários da Orthesp, os recursos  permitirão a contratação de 33 músicos profissionais”.

Em setembro, a programação no Theatro São Pedro abrirá com a encenação da “Flauta Mágica” (Pocket Ópera), de Mozart, nos dias 1, 2 e 3, com a Orquestra de Bolsistas do Theatro São Pedro sob a regência de Juliano Dutra. Horários: sexta, 20h; sábado, 15h; domingo, 17h. Ingressos: Plateia - R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada) - 1º Balcão - R$ 25 (inteira) e R$ 12,50 (meia-entrada) - 2º Balcão - R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia-entrada)

Também no sábado (2), às 20h, haverá o Concerto de Câmara, com músicos da Orquestra do Theatro São Pedro e a cantora convidada Catarina Taira ( mezzo-soprano). O programa terá composições de W. Lutoslavwky ( Mini Overture), R. Victório (Tetragrammaton VII), G. Crumb( Vox Balaenae, for three masked players) e L. Berio ( Folk songs). Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada)


Endereço: Rua Dr. Albuquerque Lins, 207 / Rua Barra Funda, 171 (Bilheteria). Tel.: (11) 3661 6600 / 3667 0499 (Bilheteria). Terça a sábado, das 10h às 20h; Domingos, das 10h às 18h (Atendimento ao público). Metrô: Estação Marechal Deodoro (Linha 3/Vermelha).



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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Palco de tragédia, castelo mal-assombrado ressurge como polo social
foto: Rogério Santos
Já se passaram 80 anos daquela noite de 12 de maio de 1937, quando um tríplice homicídio chocou a sociedade paulistana e ganhou as manchetes da crônica policial da Capital. O crime, até hoje envolto em mistério, ocorreu numa luxuosa construção do início do século XX e conhecida como o Castelinho da Rua Apa, bairro de Santa Cecília, no Centro da cidade. E envolveu três membros da mesma família: a mãe, Maria Cândida Guimarães, 73 anos, proprietária do imóvel, e seus dois filhos, os advogados Álvaro Guimarães Reis, 46, Armando Guimarães Reis, 43, foram encontrados mortos ao lado de uma pistola automática parabellum calibre 9.
No último dia 6 de abril, o Castelinho, todo restaurado, pintado de amarelo, com dois andares e 180 metros quadrados, e localizado no número 236 da Rua Apa, esquina com a Av. São João, voltou a ser destaque na imprensa e redes sociais da Internet. Mas, desta vez, por outro motivos. Após 50 anos de abandono, em ruínas, ponto de encontro de usuários de drogas e depósito de sucata, e tido, pelos mais superticiosos, como mal-assombrado, o imóvel foi tombado, inteiramente restaurado e se tornou a sede do Clube de Mães do Brasil.
Trata-se de uma ONG, entidade filantrópica sem fins lucrativos e que desde 1997 ocupa o espaço e ali desenvolve um amplo projeto voltado para a população em situação de vulnerabilidade social. Haverá sempre atividades de cunho social, educacional e  cultural, atendendo a crianças, moradores de rua, dependentes químicos e catadores de papel da região. O Clube foi fundado pela maranhense Maria Eulina Reis Hilsenbeck, uma ex-moradora de rua.
 Uma longa batalha
foto: Clube de Mães
A luta de Maria Eulina para concretizar o seu sonho de ajudar os deserdados da sorte exigiu a superação de vários obstáculos, sempre com muitas dificuldades, uma constante em sua vida, desde que deixou o Maranhão em 1971, com apenas 20 anos.
Antes de fundar a ONG, o primeiro passo foi ter o direito de usar o prédio, que pertencia à Ùnião. Isso foi conseguido por meio da intermediação da então Primeira Dama, Dona Ruth Cardoso, já falecida. A concessão de uso foi assinada em 1996 pela Secretaria do Patrimônio da União, subordinada ao Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Mas o Clube de Mães do Brasil só entrou na posse do imóvel em 1997, depois do despejo das pessoas que haviam invadido o local, que estava abandonado desde 1982 e em ruínas, usando-o como depósito de sucata e ferro velho.
O próximo passo foi vencer a burocracia e liberar o prédio para uma ampla reforma, pois ele estava detonado. Projetado e construído em 1912, por arquitetos franceses, para servir de residência à família Guimarães Reis, o imóvel já estava com processo de tombamento aberto pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo  (Conpresp) desde 1991 e foi concluído em 2004, sendo declarado Patrimônio Histórico e Cultural.
foto: Clube de Mães
Na sequência, Maria Eulina iniciou a longa e exaustiva procura de parceria com um arquiteto para elaborar um projeto de restauração do prédio. Depois de 17 tentativas, o bom samaritano apareceu na pessoa de Milton Nishida, que aceitou o desafio, fez os primeiros levantamentos em 2010 e começou as obras em 2015.
A última etapa também não foi fácil, a obtenção dos recursos. Que vieram do Fundo Estadual de Defesa dos Direitos Difusos, da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania. Foram liberados R$ 2,6 milhões de reais para recuperar a histórica construção, com o compromisso de a ONG transformar o Castelinho um centro social e cultural para atender à população de rua.
Sobre o Clube de Mães do Brasil
A fundadora da ONG, Maria Eulina Hilsenbeck, conhecia bem a problemática das pessoas que vivem nas ruas e de onde tirou seu aprendizado, de 30 anos de sofrimento.
foto: Clube de Mães
Sua dura vida começou quando saiu da desconhecida São José dos Basílios, no sertão do Maranhão, em 1971 para “tentar a sorte na cidade grande”, São Paulo. Morou por uns tempos com uma prima, mas teve que deixar a casa por imposição do marido dela. E após gastar todas as economias com o aluguel da pensão, sem emprego, foi morar na rua. E por várias noites dormiu no abandonado Castelinho da Rua Apa. Ficou dois anos na miséria até que, com a ajuda de uma benfeitora que conheceu quando perambulava pelo Parque Dom Pedro II, arrumou trabalho em uma fábrica de laticínios. Algum tempo depois, sua sorte mudou e casou-se com um executivo alemão da própria empresa e que quase a demitiu..
Depois de um período de readaptação social, em 1993 transformou em realidade o antigo sonho de fundar uma instituição para atender os que estão em situação de rua e socialmente vulneráveis. Ao longo dos seus 24 anos de atividades, o Clube de Mães do Brasil mantém-se fiel aos objetivos para os quais foi criado: “desenvolver projetos principalmente de capacitação profissional, inserindo as pessoas no contexto social para torna-las independentes economicamente, direcionando-as para o mercado de trabalho, estimulando o empreendedorismo e rendas alternativas e contribuindo com a qualidade de vida, o conhecimento cultural, ambiental e econômico.”
Fase de ajustes
Apesar de ter sido inaugurado como sede do Clube de Mães do Brasil, em abril deste ano, com a presença do governador do Estado e registro em toda a imprensa, o atendimento à população de rua no Castelinho ainda não está como dona Maria Eulina deseja. E isso talvez só ocorra a partir de janeiro, pois o prédio passa por uma fase de ajustes nas suas instalações, que terminará em dezembro. Mesmo assim, em todo último domingo do mês, a ONG faz uma ação social no pátio interno do Castelinho, que inclui um almoço especial para os moradores de rua, e termina às 18 horas com a exibição de um filme. Neste próximo (27) será apresentado “Em busca da felicidade”. O anterior foi o nacional “Os Dois Filhos de Francisco”.
foto: Clube de Mães
No momento, as atividades como os cursos de corte e costura e de capacitação profissional, por exemplo, são realizadas num outro prédio da ONG, com entrada pela Av.São João, número 2.150. Mas este edifício, de dois andares e um subsolo, ao lado do Castelinho, tem utilização parcial por causa de uma umidade na parte superior provocada por infiltrações no telhado, problema que está sendo reparado.
Um outro problema, este mais grave e de caráter financeiro, é que a ONG não recebe qualquer tipo de subvenção do Município, Estado e União ou auxílio de entidades privadas. Atende diariamente 50 moradores de rua, que procuram o local principalmente para se alimentar, ou em busca de encaminhamento para tratamento de problemas de saúde, assistência jurídica e de roupas.
Há dificuldade para o pagamento das despesas com luz e água e, claro, com os gêneros alimentícios de primeira necessidade. E, para ajudar, foi criado até um grupo de voluntários, no mês passado. São 30 pessoas, mas a ONG precisa de mais gente e está fazendo um apelo aos interessados em aderir e colaborar com o trabalho da entidade: toda doação financeira nas contas bancárias da instituição é bem-vinda, além de roupas masculinas, que têm intensa demanda.
Dentro do Projeto Ecoarte-Sustentabilidade Ambiental, em uma lojinha no prédio ao lado do Castelinho são vendidas, a preços bem acessíveis, bolsas, sacolas de supermercados/feira, porta-objeto, carteira de bolso, sacola de viagem e praia, avental, nécessaire, porta-niquel, porta-celular e estojos, tudo produzido por pessoas de baixa renda e vulnerabilizadas socialmente.
Outro projeto em andamento são as Oficinas Profissionalizantes para capacitar as pessoas
foto: Clube de Mães
assistidas por meio dos cursos de corte e costura (malharia e tecido) e marcenaria (com enfoque no reaproveitamento de caixotes de feiras livres. Até agora 70 mil pessoas já foram capacitadas. Também têm grande demanda o projeto Polo de Modas, em parceria com o Fundo de Solidariedade do Governo do Estado, criado para capacitar agentes multiplicadores.
Contatos para mais informações e agendar visitas: ONG Clube de Mães do Brasil  telefone 3662-1444 – Av. São João, 2.150; Castelinho da Rua Apa, 2367– Santa Cecília